São as pequenas coisas que me vão faltar.
Os teus passos pela casa de manhã enquanto durmo, o barulho que fazes no quarto quando entras para te vestir depois do chinfrim no duche onde te esganiças em melodias arriscadas, o teu beijo no meu sono que é já só preguiça, vê se acordas, já passa das dez, o barulho da porta que se fecha atrás de ti, o pulo que dou na cama, é verdade já passa das dez, a casa toda para mim durante um par de horas até voltares carregado de sacos que cheiram a fruta doce, o caos que instalas na bancada da cozinha, o almoço que preparas com mimo, vem para a mesa, vou já, e é quando olho para ti – pela primeira vez em cada dia – e percebo que me fazes falta, que me habituei a ser menina mimada porque é fácil não crescer demasiado quando estás por perto, quando cuidas, quando zelas, quando me que queres bem sem pedires nada em troca.
Alguém disse que a vida é feita de pequenas coisas, mas tu não és uma pequena coisa, não és um parêntesis nem uma minudência, és um artista que foi pintando uma tela em tons pastel, sem cores agressivas, e é nessa tela que me vejo contigo, nos detalhes, nos minutos, nos silêncios e no teu sorriso de olhar meigo-esverdeado onde não me perco, mas de onde não me apetece sair.
Gosto-te.